
A recuperação do Rio Tietê em foco
A revitalização do Rio Tietê se inicia antes mesmo da água alcançar o seu leito principal. Em Mogi das Cruzes e Itaquaquecetuba, notou-se uma significativa redução na poluição de cinco afluentes, com resultados animadores registrados nos últimos dois anos. As melhorias alcançaram até 56% no Córrego Lavapés, situado em Mogi das Cruzes, enquanto o Ribeirão Jaguari, de Itaquaquecetuba, apresentou uma diminuição de 31% na poluição orgânica. Tais progressos são acompanhados por um incremento nas ações do Governo do Estado de São Paulo voltadas para a recuperação do curso d’água, incluindo a ampliação do tratamento de esgoto e iniciativas de desassoreamento.
Resultados promissores: poluição em queda
A análise de dados realizada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, conhecida como Cetesb, revela que a percepção de melhora no estado dos afluentes está diretamente correlacionada às políticas públicas implementadas. Natália Resende, a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, destaca que a inclusão do saneamento como prioridade no processo de recuperação do Tietê está se tornando visível através dos resultados obtidos. A Sabesp, após sua desestatização em 2024, intensificou suas ações de coleta e tratamento de esgoto em áreas críticas, resultando em uma menor quantidade de esgoto dirigindo-se aos afluentes e, consequentemente, menos contaminação recebida pelo Tietê.
O papel da Cetesb na monitorização da água
A Cetesb desempenha um papel crucial no monitoramento da qualidade da água em afluentes que desaguam no Tietê. O levantamento mais recente realizado pela companhia abrangeu 30 rios e córregos na Região Metropolitana de São Paulo. Os locais para monitoramento foram escolhidos estrategicamente, alinhados às áreas onde estavam previstas obras para fortalecer a coleta de esgoto, visando acompanhar o fluxo da água e a eficácia das reformas.

Impacto das melhorias no Córrego Lavapés
O Córrego Lavapés teve seu desempenho destacado no estudo, apresentando a maior redução na concentração de matéria orgânica entre os monitorados, passando de 29 mg/L em 2024 para uma média de 13 mg/L no intervalo entre o segundo semestre de 2025 e o primeiro semestre de 2026. Esse progresso representa uma diminuição impressionante de 56%. O Ribeirão Ipiranga, outro afluente em Mogi das Cruzes, teve também uma leve redução, com a concentração de matéria orgânica caindo de 15 mg/L para 14 mg/L.
A importância do saneamento para a saúde dos rios
A implementação de melhorias no sistema de saneamento é fundamental para garantir a saúde dos afluentes e do próprio Rio Tietê. A redução da poluição nos rios correlaciona-se diretamente com um aumento na eficiência das redes de esgoto, demonstrando que investimentos em infraestrutura e saneamento básico trazem impactos positivos para a qualidade da água. A experiência prática já se mostra clara nas autofluxos, com menos esgoto sendo despejado nos cursos d’água, o que, por sua vez, resulta em uma menor poluição dirigindo-se ao Tietê.
Efeitos do tratamento de esgoto na redução da poluição
Com a ampliação das operações de tratamento de esgoto implementadas pela Sabesp, tanto em Mogi das Cruzes quanto em Itaquaquecetuba, o efeito prático da limpeza das águas se reflete nas medições de poluição. Somando os esforços de saneamento, existe uma ampla percepção da melhoria nos afluentes que deságuam no Tietê, evidenciando a necessidade de contínuas intervenções nessa área para manter e potencializar os resultados já conquistados.
A relação entre área de drenagem e poluição
A Cetesb não apenas avalia a qualidade da água nos afluentes, mas também leva em conta a extensão da área de drenagem de cada um deles ao calcular os resultados agregados. A área de drenagem representa o espaço total que abastece um córrego ou rio com água, englobando bairros, ruas e outros cursos d’água menores. O maior volume de água que um afluente transporta pode aumentar a sua influência sobre o Tietê, assim, aqueles que atuam em áreas maiores possuem um impacto mais acentuado na qualidade da água do rio principal do que os que drenam territórios mais restritos.
IntegraTietê: um investimento em revitalização
O monitoramento e recuperação dos afluentes estão integrados ao Programa IntegraTietê, uma iniciativa do Governo de São Paulo lançada em 2023, que inclui diversas frentes de intervenção e investimentos superando R$ 22 bilhões. Esse recurso abrange ações de curto, médio e longo prazo em áreas como saneamento, fiscalização ambiental, monitoramento da qualidade da água, além da recuperação das margens dos rios. Entre as iniciativas mais relevantes, destaca-se a ampliação do acesso ao sistema de esgoto para mais de 1,5 milhão de residências, beneficiando cerca de 4,5 milhões de indivíduos.
Desafios ainda enfrentados nos afluentes
Apesar dos avanços, ainda existem obstáculos significativos a serem superados. A continuidade do monitoramento e a implementação de ações efetivas nas regiões que ainda carecem de melhoramentos estruturais são essenciais para garantir um progresso sustentável. A Cetesb tem intensificado seu acompanhamento para identificar locais que precisam de atenção adicional e promover intervenções em áreas ainda carentes. Além disso, a coleta e remoção de resíduos flutuantes, como no caso do Rio Pinheiros, onde já foram removidas 147 mil toneladas de lixo desde 2023, são atividades que se tornaram prioridade nessa recuperação.
O futuro da qualidade da água no Tietê
O futuro do Rio Tietê parece promissor com a continuidade dos investimentos e iniciativas como o IntegraTietê, que visam garantir a melhoria da qualidade da água ao longo de seu percurso. Com a realização de desassoreamento e intervenções estratégicas, espera-se que a qualidade da água transcorra cada vez melhor, fundamentais para a proteção do ecossistema e da saúde pública nas regiões que dependem desse importante recurso hídrico.